Não há desenvolvimento sem inovação, não há inovação sem conhecimento, não há conhecimento sem aprendizado, não há aprendizado efetivo que não seja fundamentado na prática, não há prática sem relacionamentos, não há relacionamentos sem atores sociais.
Quando as tecnologias digitais mostraram o seu potencial para alavancar o desenvolvimento, alguns estudiosos apontaram para o abismo que poderia ser criado entre as sociedades que dispunham destas tecnologias e aquelas que não teriam condições dadas as carências no setor.
Chamaram isso de digital divided. Porém, devido a fracassos em iniciativas para o desenvolvimento, alguns estudiosos aprofundaram a questão e apontaram para outro problema: as condições que as diferentes sociedades apresentavam em termos de competências para realizar o aprendizado. Chamaram isso de learning divided, ou seja, uma divisão entre os países que conseguem promover um aprendizado efetivo e aqueles que, apesar dos esforços e recursos empregados, não conseguem resultados satisfatórios. Um exemplo, vindo do setor público, pode ser a questão da educação no Brasil, que segundo os resultados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) está entre os últimos colocados. Um exemplo genérico vindo do setor privado pode ser os poucos resultados obtidos com as grandes quantidades de recursos empregados em treinamento.
Uma maneira de ver os Arranjos Produtivos Locais (APLs) é percebê-los como estruturas para o aprendizado. Quando o Sistema FIEP encabeçou, juntamente com outras entidades, um movimento de fomento dos APLs no Estado do Parará, no meu ponto de vista, ficou claro que o projeto seria, acima de tudo, um processo de aprendizado.
Olhando o assunto por esta ótica, seria possível dizer que aqueles APLs que, apesar dos esforços, não conseguiram se viabilizar foram vítimas do learning divided. Porém, outros perceberam o desafio do desenvolvimento e buscaram sustentabilidade para seus negócios e suas regiões iniciando um processo de aprendizado sobre a questão. Caso, por exemplo, do APL de Metais Sanitários que além de organizar o setor através de uma associação, deu a esta o caráter de agência regional de desenvolvimento ou do APL de Confecções do Sudoeste que tem um projeto enorme na área da Saúde da Mulher.
Para os APLs, a iniciativa de promover a adequação de currículos de determinados cursos para a questão da sustentabilidade faz todo o sentido dentro do contexto de dificuldades que os APLs enfrentam. Responder a pergunta formulada por Augusto de Franco - Por que uma empresa deveria perder tempo, mudar ou ampliar o foco principal de suas preocupações estratégicas e gastar preciosos recursos para mexer com coisas que, aparentemente pelo menos, não aumentam o retorno sobre seus investimentos, como desenvolvimento local e setorial, redes e democracia, voluntariado e política? - também é fundamental. Aliás, a minha resposta é: Para iniciar um processo de aprendizado individual, organizacional e social que irá desembocar em conhecimento, inovação e desenvolvimento.
Porém, também seria interessante propor aos empresários, técnicos, professores e lideranças que atuam junto aos APLs que também opinassem sobre a questão da sustentabilidade do seu setor e da sua região. Que falassem das experiências realizadas e quais as dificuldades enfrentadas. Que nos dissessem para onde a visão de futuro aponta, em termos de desafios tecnológicos, ambientais e sociais. Quais são as forças existentes no setor e região? Quem deveria participar e ainda não participa? Como viabilizar o envolvimento da Academia?
A minha proposta é tornar visível uma comunidade de prática, do ponto de vista dos APLs do Paraná, para apontar para algumas questões sobre sustentabilidade. Isso acontecerá com uma pequena participação dos envolvidos. Se isso acontecer, poderemos dar uma contribuição muito positiva para este importantíssimo esforço de aprendizado para o desenvolvimento que é o Global Fórum LA.
Abraços.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
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3 comentários:
Minha opinião que parte do princípio de liderança. Perfil deste para com o grupo/empresas/setor que esteja representando e neste perfil eu incluo como sendo características de um bom líder:ser idealista, senso de coletividade, responsabilidade, integridade e "querer fazer".
Nosso principal desafio é trabalhar com um APL onde temos mais de 30 municípios e desses, 10 trabalhamos efetivamente. Já temos 05 anos de história e quando iniciamos era para sermos reconhecidos como Polo, fato que não ocorreu mas demos continuidade as ações porque tínhamos 03 líderes que unidos "quiseram acontecer". Aí começou a história de sucesso e aumentou nossos desafios porque conforme as atividades são colocadas em prática e as empresas percebem, mais ações elas demandam.
Na minha percepção são fatores de dificuldade para APL's ou outras formas de associativismo: a) falta de profissionalismo nas entidades que congregam (empresário não tem tempo para ações executivas e infelizmente mínima visão para a necessidade do profissionalismo); b) continuidade de processos quando há troca de comandos; c) articulações com diferentes parceiros sem que haja sobreposição de ações ou esses se sintam inseguros com as atividades coletivas que para o sucesso necessitam que não tenham *identidade* ou *bandeira* da instituição e sim dos resultados coletivos; d) cultura empresarial onde o imediatismo faz parte do contexto; e) valorizar apenas quando se obtém ganho financeiro a curto prazo.
Se as iniciativas/instituições tiverem bons líderes boa parte ou quase todas as dificuldades acima são supridas.
Temos bons exemplos em nosso APL tais como: o projeto Saúde da Mulher que estamos obtendo ótimas adesões; o projeto de Gestão de Resíduos Sólidos (atenderá uma demanda imediata e resolverá os problemas na individualidade do empresário); partindo para a Central de Negócios que será o maior desafio porque requer "confiança" e estamos obtendo boa aceitação e adesão.
Temos tantas outras ações que considero de fluxo contínuo e inerentes a qualquer setor organizado.
Unir a academia, o setor público e a classe empresarial são as maiores dificuldades:quando unimos empresários e representantes das academias sentimos a distância entre as partes, é um abismo. De um lado alguns que "sabem tudo - acham - no conceitual e teórico" e do outro "objetividade e imediatismo" sem compreender que o conceitual é extremamente importante também.
Mesmo com essas diferenças, nossa região de 04 anos para cá com cursos de ensino superior na área, têem contribuído muito para as empresas e para 2009 iniciamos negociações com o Senai para ofertar curso de Pós em Gestão de Moda e estamos viabilizando parceria com outra entidade de ensino para realizarmos um pós em Gestão de Mercado, essas apontadas e aprovadas pelos empresários.
Nossa região depara-se com outra problemática que precisamos iniciar projetos para obtermos resultados a médio e longo prazo que é a "cultura do design".
Essa precisa partir dos profissionais formados nos cursos de graduação e técnicos e estender a nossas empresas, fomentar e achar mecanismos que o empresário perceba a necessidade desses profissionais como uma das razões para se tornar competitivo e agregar valor ao seu produto, porém, nossos profissionais não estão sendo preparados para atender todas as demandas que um empresário espera e precisa.
Precisamos linkar a academia com a empresa (mas ambos trabalhando no conceitual e nas atividades práticas da empresa.
O maior desafio ainda para que no futuro tenhamos empresas produtoras de moda, criadores de moda e o Paraná ser um produtor de moda é buscar esses jovens profissionais e prepará-los para serem empreendedores e não apenas design's com um "bom emprego" e acho que com a inserção das entidades de apoio empresarial e criando oportunidades para tal, a exemplo que queremos ainda fomentar um projeto de uma "incubadora de novos empreendedores em design" poderemos contribuir com empresas, profissionais, nossa região e nosso estado.
Estamos felizes com todas as iniciativas mas soubemos que possuímos deficiências até pelo próprio fator geográfico que são: fluidez na comunicação, atendimento de necessidades conforme demandas microrregionais que diferem uma das outras, novos líderes de entidades parceiras que precisam estarem mais inseridos nos processos e aumentar o nível de escolaridade de nossos colaboradores e empresários.
Todas ações para médio e longo prazo mas que iniciando se chega lá. Assim foram com todos os projetos que o APL da Confecção Moda Sudoeste - definiu prioridades, elaborou projetos, executou com resultados e obteve parceiros por acreditarem no potencial de desenvolvimento e seriedade das ações coletivas.
Passados mais de 04 anos quando éramos desconhecidos pela própria região e conseguimos com ações focadas reverter este quadro também e que nos possibilita várias parcerias com municípios da região que contribuem efetivamente para o desenvolvimento setorial dada a sua importância no contexto social, econômico da região e especialmente pela organização.
APL DA MADEIRA
PRESERVAÇÃO AMBIENTAL E RESPONSABILIDADE SOCIAL
Localizadas em uma das regiões de maior preservação de floresta nativa do sul do Brasil, os municípios de União da Vitória e Porto União vêm se tornando modelos de desenvolvimento econômico sustentável.
Não é incomum encontrarmos na mídia a idéia de associar indistintamente a indústria madeireira à degradação ambiental. O que poucos sabem, entretanto, é que o setor de base florestal figura entre os segmentos de maior importância para a economia brasileira. Se levarmos em conta apenas a indústria de madeira processada mecanicamente – portas, janelas, molduras, pisos, painéis de compensados, madeira serrada, entre outros – em torno de 1/3 do PIB do setor de base florestal está aí representado.
Além da contribuição econômica, é no campo social que reside outra importante contribuição do setor. Segundo dados disponíveis no site da ABIMCI, “a cadeia produtiva do setor de base florestal emprega quase 6,5 milhões de pessoas direta e indiretamente. Dentre as indústrias que formam o setor de base florestal, as maiores geradoras de empregos são as de madeira processada mecanicamente, com 2,5 milhões de empregos diretos e indiretos”.
Um dos trabalhos árduos do APL da Madeira – Arranjo Produtivo Local - de União da Vitória e Porto União tem sido uma forte atuação na mudança da imagem negativa da indústria madeireira. “Queremos mostrar que é perfeitamente possível a exploração sustentável da floresta, já que só assim teremos a garantia da continuidade de nosso negócio” enfatiza Fabrício Antonio Moreira Neto, Coordenador do APL da Madeira. A sociedade precisa conscientizar-se de que é perfeitamente possível uma economia fortalecida com um setor que tem a madeira como insumo principal sem que isso represente a degradação da natureza. Muito pelo contrário, são os empresários sérios e organizados desse setor os primeiros a defender uma exploração sustentável da floresta como forma de garantir a continuidade de suas atividades gerando emprego e renda.
Localizadas em uma das regiões de maior preservação de floresta nativa do sul do Brasil, os municípios de União da Vitória, no Paraná, e Porto União, em Santa Catarina, vêm se tornando modelos de desenvolvimento econômico sustentável em uma região onde a industrialização da madeira é praticada há pelo menos um século. São mais de 200 indústrias que, reunidas em Arranjo Produtivo Local –APL -, respondem pela produção de compensados, móveis, pisos, portas e janelas de madeira, entre outros produtos, e garantem cerca de 15 mil empregos diretos.
João Ademir dos Santos
Consultor APL da Madeira
Prezado Geraldo, PArabens pelo tema, muito apropriado. Acredito que os apl´s conceitualmente e estrategicamente sao os eixos com poder de modificação das estrutaras atuais, primeiramente por sua capacidade de gerar elos de confiança entre comercio , industria e cultura local e tambem na sua capacidade de integrar comunidades buscando objetivos conjuntos e maiores que elas proprias( visao estrategica). Sendo assim, essa experiencia nas discussoes do Gfal serao importantes e ricas. VAmos debater.
Abraços
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