Brasil e Itália são duas realidades muito diferentes. Imaginar soluções práticas para as empresas brasileiras a partir da comparação entre distritos industriais italianos e arranjos produtivos locais brasileiros não é muito apropriado, dadas as diferenças existentes.
Porém, no momento que tocamos no assunto desenvolvimento, vemos que tanto os desafios empresariais italianos quanto os brasileiros têm uma abrangência global. Os distritos italianos são players globais e representam uma parcela muito grande da economia italiana – estudos mostram que alguns distritos italianos são maiores que muitas empresas multinacionais. Porém, após anos de dificuldades estão reformulando com êxito suas estratégias de atuação. As empresas brasileiras, ao mesmo tempo em que enfrentam a concorrência que vem de fora, têm no mercado mundial um potencial enorme de crescimento. Por isso, talvez fosse interessante fazermos benchmark da experiência italiana.
Para ficarmos dentro dos nossos propósitos e possibilidades, que é fomentar a discussão sobre os temas do GFAL do ponto de vista dos APLS, apresento a entrevista do presidente da Federação de Distritos industriais italianos dada para a EuroPA. A Federação é “protagonista” do evento Salão das Autonomias Locais que acontecerá em Rimini de 4 a 7 de Julho. No endereço http://www.euro-pa.it/interviste/terribile_p.htm você pode ver a entrevista integral.
Uma primeira questão, auxiliando os céticos na formulação de suas dúvidas, poderia ser: o que é que autonomia local (um dos problemas da Itália dada a centralização do poder em Roma) tem a ver com internacionalização de distritos (um dos objetivos da Federação de Distritos Industriais)? Mais: porque o entrevistador pergunta sobre “capacidade para agredir o mercado” (uma perspectiva estritamente comercial) e o presidente responde com:
“... desenvolver relações entre os operadores institucionais, econômicos culturais e científicos e também ações de sensibilização difusa sobre necessidades políticas para o desenvolvimento de sistemas locais e de redes.”
“... nasceu uma sociedade, onde a Federação é sócia majoritária, em parceria com a Universidade, que se chama Sintesi, a qual tem o objetivo de fazer inovação de produtos e de processos e desenvolvimento de patentes.”
“A internacionalização e a capacidade de agredir o mercado... (os distritos) obtêm com sinergia entre eles mesmos, colocando-se em condições de montar grupos, de criar redes entre eles.”
“...nosso trabalho se concentra em elaboração e articulação de projetos (progettualità). Um trabalho de campo, mas também no nível de relacionamentos.”
“... projetos conjuntos entre os distritos italianos e os distritos indianos, além da possibilidade de crias sociedades mistas.”
Considerando as diferenças entre distritos e APLs e reconhecendo a enorme importância econômica e social dos distritos industriais para a Itália, se entendermos o que – e porque a Federação dos Distritos Industriais defende tais estratégias para as empresas italianas – entenderemos como o GFAL pode contribuir para estratégias de desenvolvimento de nossas empresas.
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Um comentário:
Caro Geraldo APL,
excelente a contribuição. Sugiro duas coisas: a primeira, uma abordagem no blog que mostre como os APL's podem contribuir melhor para a sustentabilidade como abordada pelo Global Forum, e a segunda uma avaliação do uso das ferramentas de redes sociais que estarão disponíveis no GFAL (apresentadas ao Grupo Gestor do GFAL hoje) de forma a apoiar os APL's nessa e em outras tarefas.la
Postar um comentário